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Grávidas e as que pretendem engravidar: sane dúvidas sobre microencefalia

 

O aumento de 800% nos casos da doença no Brasil tem preocupado mulheres grávidas e as que estão planejando engravidar. Esclareça suas dúvidas

 

O mês de dezembro costuma ser quente e chuvoso, clima mais do que favorável para a proliferação do mosquito. Por isso, apresentamos a você as informações essenciais para se proteger e proteger sua família contra a doença da microcefalia. O Ministério da Saúde decretou estado de emergência sanitária nacional em novembro, por causa do grande aumento dos casos de microcefalia no Nordeste brasileiro, principalmente no estado de Pernambuco. No começo de dezembro, já eram mais de 730 casos confirmados e 1250 casos suspeitos espalhados entre a região Nordeste, Norte e o litoral Sudeste, um aumento de 732% desde abril desse ano.Em 2014, foram apenas 147 casos confirmados. A presidente lançou um plano de contingência e enfrentamento à microcefalia. As medidas serão colocadas em prática para conter novos casos da doença, auxiliar as mulheres grávidas e combater o mosquito da dengue, que também é transmissor do vírus zika, que tem relação direta com a doença. 

 

1) O que é microcefalia e como ela se desenvolve normalmente?

De acordo com o Dr. Paulo Breinis, neuropediatra do Hospital São Luiz Jabaquara, a microcefalia é uma condição patológica onde o peso e o tamanho do cérebro do bebê é muito menor do que o que é considerado normal, ou seja, menor do que 32 centímetros de circunferência. A doença pode causar problemas cognitivos (de aprendizado) e motor (de coordenação).

Essa lesão costuma ocorrer em algum momento durante a gravidez, principalmente entre o primeiro e segundo trimestres, por algum fator que causa a malformação. Esses fatores podem ser tanto genéticos, estar relacionados ao uso de alguma substância tóxica (como fumar, beber, usar algum tipo de droga ou ficar exposta à radiação) ou ainda por causa de alguma doença que a mãe tenha tido durante a gravidez (como a rubéola, a sífilis, a toxoplasmose e, agora, a contaminação pelo vírus zika).

O diagnóstico é relativamente simples: os médicos usam exames de neuroimagem e ultrassons morfológicos ou ressonância magnética fetal para medir o tamanho da cabeça do bebê ainda na barriga da mãe. A equipe médica também confirma depois do parto medindo o bebê com uma fita métrica. Lembrando que a microcefalia não tem tratamento com remédios, mas as causas citadas acima precisam ser tratadas assim que descobertas. Para as crianças com a doença, terapias podem melhorar o desenvolvimento.

90% das crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento ou alguma sequela relacionada a problemas neurológicos, retardo mental, distorções faciais, hiperatividade, baixa estatura, dificuldades de equilíbrio e coordenação. As crianças que se encontram nos outros 10% têm inteligência e desenvolvimento normal. Em alguns casos, o bebê pode morrer por causa da doença.

 

2) Mas e agora, o que está acontecendo no Brasil?

Depois de confirmados tantos casos de microcefalia pelo país, os médicos encontraram uma relação comprovada entre o vírus zika e a doença. O vírus zika é transmitido pelo mesmo mosquito que assombrou o Brasil nos últimos anos por causa de uma doença bastante conhecida nossa: a dengue. O Aedes aegypti é um transmissor perigoso, que tem o dobro do tamanho de um pernilongo comum, com manchas brancas nas patas e que se reproduz em locais onde haja água parada e limpa. Estima-se que apenas 2 em cada 10 pessoas picadas pelo mosquito apresentem sintomas relacionados ao vírus zika.

Nessa época do ano, em que o clima está chuvoso e quente, é comum que o mosquito consiga mais lugares para se reproduzir e que os casos de dengue aumentem. Por serem os mesmos transmissores, o Ministério da Saúde prevê que os casos de zika também possam aumentar.  No entanto, em todo mundo, existem apenas 200 estudos e artigos publicados por esse vírus, por isso as informações ainda são escassas. O Brasil é o primeiro país a estudar a relação do vírus zika com a microcefalia.

Apesar de o Ministério da Saúde ter comprovado essa relação, isso não quer dizer que todos os novos casos da doença estejam relacionados ao vírus. Os médicos ainda não sabem dizer exatamente qual o mecanismo que faz com que o zika cause a microcefalia, mas a teoria mais aceita é de que o vírus entre pela corrente sanguínea, ultrapasse a placenta da mãe e atinja o cérebro do bebê.

 

3) O vírus zika pode se espalhar pelo país?

Sim. Mesmo que os registros mais alarmantes estejam concentrados no Nordeste, os pesquisadores acreditam que ele vai seguir o exemplo da dengue e deve atingir as mesmas proporções em locais como São Paulo e Rio de Janeiro em um prazo de dois ou três anos. Mesmo que você já tenha agendado uma viagem de férias para o Nordeste, não se preocupe em cancelá-la. O vírus já está circulando pelo país e evitar a região não vai prevenir contra a contaminação.

A doença por enquanto tem atingido mais famílias na região Nordeste, principalmente em Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba. O médico Francisco Ivanildo de Oliveira, infectologista do Hospital Infantil Sabará, explica que a infecção pelo zika é, em 80%, assintomática. Quando existe algum sintoma, eles costumam ser brandos e facilmente confundidos com uma virose, por exemplo: febre, algumas manchas vermelhas pelo corpo com coceiras e dores nas articulações. Os sintomas desaparecem depois de um período que varia entre 3 e 7 dias.

Ainda que o Aedes aegypti transmita outras doenças, como a dengue, não existem relatos clínicos no mundo que mostrem que uma mesma pessoa tenha sido infectada por mais de um vírus ao mesmo tempo.

 

4) Estou grávida. O que fazer?

Primeiro de tudo é conversar com seu médico e saber exatamente qual é seu estado de saúde. O mosquito que transmite o vírus zika não deixa aquela picada avermelhada, que coça sem parar, típica do pernilongo comum. Se você sentir febre, dores e manchas avermelhadas procure imediatamente um médico para ele te encaminhar para um exame de sangue que possa fazer o diagnóstico. Algumas dicas: o mosquito prefere o horário da manhã para sair por aí picando e voa baixo, até 1,5m de altura. Além disso, o vírus é mais perigoso até a oitava semana de gravidez, quando o sistema nervoso do bebê está completando sua formação inicial.

O Ministério da Saúde já está dispondo de recursos para fazer pesquisas que possam identificar o vírus. Os laboratórios particulares deverão oferecer um teste genético para detectar a doença, que demora dois dias para ficar pronto. Os laboratórios de referência da Fundação Oswaldo Cruz também estão trabalhando para desenvolver as pesquisas de outro tipo de exame, o sorológico, que é mais veloz e pode ser feito em larga escala. Mas ainda não existem testes disponíveis na rede pública.

Ainda não existem medicamentos ou vacinas contra o vírus zika. Mas você pode procurar repelentes que contenham DEET (dietiltoluamida) ou icaridina. Fale com seu médico e com o farmacêutico para você comprar produtos próprios para mulheres grávidas. Os produtos devem ser reaplicados na pele a cada quatro horas.

 

5) Quero engravidar. O que fazer?

Claudio Maierovitch, médico e diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, recomendou recentemente que as mulheres adiem seus planos de engravidar. Na verdade, a recomendação faz todo o sentido: em um momento de surto e de alerta, é melhor se planejar ainda mais e tenham mais cautela ao engravidar. “Nosso papel é oferecer informações para que as pessoas tomem suas próprias decisões. Hoje podemos afirmar que há uma relação muito importante do vírus zika e o aumento de casos de microcefalia. Mas esse é um conhecimento novo”, disse ele.

O ideal é evitar contato com pessoas infectadas e saber qual o índice de casos da sua região: O estado de Pernambuco é o que tem o maior número de casos até o fechamento desta matéria (646). Em seguida, estão os estados de Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Maranhão (12), Rio de Janeiro (12), Tocantins (12), Goiás (02), Distrito Federal (1) e Mato Grosso do Sul (1), além de 1 caso ainda não confirmado na cidade de Guarulhos, em São Paulo.

Ainda não se sabe ao certo o tempo de permanência do vírus na corrente sanguínea, portanto se você ou seu parceiro já tiveram zika (que também pode ser transmitido pela relação sexual, de acordo com algumas pesquisas), procure um médico antes de decidir engravidar. O vírus zika também pode ser transmitido pela amamentação, infectando o bebê caso a mãe esteja doente, mas nesse caso não há relação com a microcefalia.

 

6) Como eu posso evitar o contato com o vírus?

Primeiro, o uso dos repelentes. Nós fizemos uma seleção de alguns que você pode usar mesmo estando grávida:

Johnson’s Baby Loção anti-mosquito; OFF Family Loção; Repelex Citronela; Forinset Loção.

Existem as opções em spray que também podem ser compradas. lembre-se sempre de perguntar ao atendente se, na composição, existe o DEET ou a icaridina.

Além disso, o governo federal, ao lado do Ministério da Saúde, lançou a campanha “Sábado da Faxina”, que recomenda às famílias que façam uma faxina em casa a cada sete dias e deixe tudo bem limpo para evitar a contaminação, já que o período de incubação do ovo do mosquito sobrevive mais ou menos por esse tempo até eclodir.

Aí entram também aqueles cuidados que todo mundo já conhece: não deixar água parada em pneus e garrafas, tampar bem as caixas d’água e colocar areia nos pratinhos das plantas que você tem em casa. É importante ficar de olho nos vizinhos também, porque o mosquito da dengue não respeita paredes.

 

Algumas receitas também podem ser feitas em casa para você e sua família se livrarem dos mosquitos:

Citronela: vale pulverizar o ambiente com essência de citronela, usar óleos, incensos e velas

Vinagre: algodões embebidos em vinagre pelos cantos da casa são muito eficazes, mas prepare-se para o cheiro

Cravo-da-índia: basta espetar alguns cravos em uma rodela de limão ou de laranja e deixar exposto nos ambientes

Alho: apesar do cheiro incômodo, é só esmagar e espalhar pela casa em alguns pontos onde os mosquitos aparecem

Hortelã: Espalhe vasinhos com a planta pela casa, eles vão funcionar também como aromatizador natural.

 

(Redação Matriline com Pais e Filhos)

 

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015
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