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A importância da rede de apoio no pós-parto

1 de maio de 2022

Como se sabe, o pós-parto é um período de muitas transformações que envolve mãe, pai e toda a família para a chegada de um novo membro. Contudo, as maiores mudanças acontecem, com certeza, para a mulher: transformações hormonais e emocionais, ela deixa seu “eu mulher” de lado e passa a ocupar um lugar de cuidadora, muitos sentimentos ambivalentes são gerados e novos comportamentos se fazem necessários.

E é por isso que a rede de apoio é tão importante: uma mãe forte e bem amparada psicologicamente será uma mãe saudável, feliz e, automaticamente, uma base sólida para a construção deste maternar e o desenvolvimento do pequeno ser humano recém-nascido.

Além disto, é necessário que a gente chame atenção para um assunto talvez pouco comentado mas extremamente comum, que é o período de “tristeza” pós-parto que pode surgir neste processo de “buscar adaptar-se”, chamado de “baby blues”.

Esse período pode perdurar nas primeiras semanas do pós-parto, pois é o tempo das questões hormonais e adaptativas se estabelecerem. Contudo, não é necessário tratamento, apenas que a mãe tenha “consciência” que pode passar por isso: o que demanda ainda mais atenção e cuidado de toda rede de apoio que ela precisar.

Gosto muito do provérbio “It takes a village to raise a child” que significa, basicamente, que é necessário uma comunidade inteira para cuidar e educar uma criança. Ou seja, esse pequeno ser humano não é apenas responsabilidade da mãe: e é isto que a rede de apoio precisa lembrar, não só com palavras, mas com atitudes.

Amparar uma mãe é, acima de tudo, saber OUVIR e saber estar presente. Entender que, mesmo agora com esse novo papel, ela ainda é uma mulher, ainda tem a própria vida, vontades, sonhos e objetivos pela frente. Então, é importante ajudar a lembrar ela disso, conversando não só sobre a maternidade, mas sobre as vontades DELA!

Ninguém nasce mãe, nos tornamos! Assim como a paternidade, o maternar é um processo de aprendizado, de descobertas, de erros e acertos. Uma mãe sem apoio pode desenvolver distúrbios psicológicos e isso não comprometerá apenas a saúde dela, mas a do novo ser humaninho – que, um dia, também será um adulto inserido na sociedade.

Tudo que nos acompanha além da vida tem base na nossa infância – ela é a fase mais importante do nosso viver, é onde aprendemos e desenvolvemos o afeto, o apego, é onde observamos, absorvemos e construímos nosso “modo de se relacionar” – na Terapia do Esquema falamos muito sobre isso.

A principal ação é compreender que essa mãe precisa de apoio, pois está desenvolvendo seu modelo de maternar. Está se conectando com o bebê para aprender a reconhecer suas necessidades, precisa de tempo, espaço e compreensão.

A tristeza, medo e cansaço vão passar a medida em que a mãe se sentir segura.

Dicas:

  • Não faça comentários que possam desvalidar a ação da mãe em relação ao bebê. Exemplo: “Seu leite é fraco, por isso o bebê chora!”. Ao invés disso, diga: “Tenha paciência… É assim mesmo… Com o tempo, o leite vai regular de acordo com necessidade do bebê”.
  • Permita visitas que possam auxiliar a mãe e pessoas que ela queira por perto. É importante evitar pessoas que perturbem a relação mãe-bebê nesses primeiros dias.
  • Auxilie nos cuidados da casa, com a comida e, quando a mãe der o sinal, com o bebê. Assim que a mãe se sentir segura, o processo seguirá naturalmente.

Pai e demais familiares, vocês são a rede de apoio e devem ficar atentos a modificações no comportamento da mãe, como: alteração do sono e apetite, baixa energia com o bebê, tristeza e raiva, pois essas alterações podem evoluir para uma depressão pós-parto.

A rede de apoio é essencial para a mamãe em todo o processo! Por isso, existem grupos de mães, psicólogos, psiquiatras e educadores com o objetivo de ouvir, orientar e apoiar essas mulheres neste período tão importante e tão difícil que é o tornar-se mãe.

 

Psicóloga Grasiela Suzin | CRP: 08/12022

 

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